O novo direcionamento do mercado imobiliário em Goiânia já começou

Cidade Opus, EBM, ATrinca e City apontam para uma mesma transformação: imóveis cada vez mais integrados à forma de morar, trabalhar, consumir e usar a cidade.

Alguns movimentos recentes têm chamado a atenção em Goiânia, não só pela mudança estética muito evidente na arquitetura da cidade - basta subir a Av. 85 em direção a T-63 que fica bem fácil de perceber - como também pelos produtos que estão aparecendo no mercado. Onde antes reinavam os grandes apartamentos e galerias comerciais, agora estão aparecendo grandes empreendimentos que mais parecem cidades pela quantidade de unidades - e até levam o termo “cidade” no nome.

A Opus apostou em um grande complexo mixed-use no encontro das avenidas Mutirão e 85, no final da Ricardo Paranhos e desenvolveu o Cidade Opus, empreendimento que se tornou vencedor do Prêmio Master Imobiliário. A City trouxe marcas internacionais de renome como, Pininfarina, Anastassiadis e Leo Maia, trazendo um novo conceito de luxo e, de uma maneira diferente, a projetos de mesmo propósito que a Cidade Opus. E então vem ATrinca, um grande grupo imobiliário com nomes de peso anunciam um investimento em parceria com a EBM com qual propósito? Metropolitan Marista. Mais um mixed use com nada menos que 500 milhões de volume de vendas.

Então temos um dilema importante: ou eles estão ficando doidos ou existe um movimento claro e definido para a cidade! Quando diferentes empresas, em momentos diferentes, começam a chegar a conclusões semelhantes sobre uma cidade, talvez valha a pena investigar o que elas estão enxergando. Eu não acho que nenhum deles rasgaria dinheiro e me parece mais sensato que estejam seguindo a mesma máxima de sucesso do multi-bilionário Warren Buffett: o mercado está sempre certo! Me acompanha aqui que vou te mostrar o que me faz pensar dessa maneira.

Mas afinal, o que são os mixed use? São projetos que combinam studios, apartamentos residenciais, salas comerciais, lajes corporativas e estrutura de comércio e conveniência em um mesmo local. Porém existem situações onde empreendimentos bem próximos fazem o mesmo papel e até com um pouco mais de privacidade. Lembrando que ser um mixed use não significa que os empreendimentos compartilham todos os espaços, até porque seria uma grande falha de concepção de projeto que levaria a uma tragédia comercial. São produtos feitos para pessoas que buscam morar próximo ao trabalho, ter um local para encontrar clientes, restaurantes acessíveis, comprar o que precisa, usar academia, resolver serviços, ter lazer - tudo isso sem usar carro, de preferência. Aí já entramos para as primeiras perguntas:

  • Conhece alguém que gostaria de morar em um lugar que pudesse oferecer tudo isso, com opções de qualidade e ainda ter um patrimônio que valoriza com o tempo?

  • E em uma viagem, locais assim resolveriam seus problemas melhor ou pior que um hotel?

A transformação da hospedagem ajuda a explicar outra parte dessa história.

Hotéis deixaram de ser a única resposta possível para quem precisa permanecer temporariamente em uma cidade. Studios mobiliados, apartamentos para temporada, residenciais com gestão profissional e modelos híbridos de hospitalidade. Episódios recentes mostram que há momentos em que a capacidade tradicional de hospedagem é fortemente pressionada.

Durante o período do MotoGP no Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna, a ABIH-GO e SIHGO informaram ocupação hoteleira em torno de 90% em meses antes do evento. O pico dos valores de locação por temporada no MotoGP 2026 disparou em média 567%, com imóveis compactos e casas de alto padrão alcançando de R$ 60 mil a R$ 165 mil para estadias curtas de três dias, enquanto opções alternativas e diárias avulsas variaram amplamente conforme a proximidade do evento

E isso produz uma mudança interessante no próprio mercado imobiliário, inclusive o aumento da demanda por imóveis de alto padrão e luxo. E tudo isso ajuda a entender o fator mais importante: a localização. Marista e Bueno são atualmente os principais bairros de atividade econômica da cidade. O próprio entorno escolhido pela EBM e pela ATrinca oferece uma pista. Segundo dados divulgados pela EBM para o Metropolitan o Setor Marista possui mais de 3.500 empresas e estabelecimentos ativos, movimenta aproximadamente 2,8 bilhões de PIB por ano e tem nos serviços 82% de sua atividade econômica.

Portanto, ali não existe apenas uma população residente de alta renda. Existe circulação profissional, comércio, gastronomia, saúde, serviços, empresas e lazer. Pessoas chegando e saindo durante praticamente todo o dia e essa combinação modifica a função e necessidade de adequação do próprio imóvel e o conjunto com o empreendimento.

Um apartamento naquele ecossistema pode servir ao morador, um compacto pode servir a quem deseja morar sozinho ou pode atender alguém temporariamente na cidade. Pode servir a locação tradicional ou, quando permitido e adequado, hospedagem flexível.

Uma sala atende empresas e profissionais. Essas empresas trazem trabalhadores, clientes e negócios. Essas pessoas consomem restaurantes, cafés e serviços. E esses serviços, por sua vez, tornam a localização ainda mais conveniente para quem mora ou se hospeda ali.

É a demanda de um uso ajudando a sustentar o outro. Esse é o verdadeiro poder de um bom mixed-use. Estar bem adaptado a isso é o grande desafio, onde a conveniência pode acabar interferindo na privacidade e talvez até na sensação de segurança.

As pressões de mercado ditam as regras através dos comportamentos, necessidades e hábitos.

Quando empresas diferentes começam a investir bilhões, desenvolver novos produtos e repetir determinados conceitos em uma mesma cidade, vale entender qual mudança de comportamento tornou essas decisões economicamente possíveis.

O Cidade Opus, por exemplo, é composto de 3 empreendimentos, sendo 1 comercial (Corporate Center Cidade Opus), 1 de compactos (Gyro Cidade Opus) e 1 residencial (Sync) que estão dentro da mesma quadra porém com suas áreas objetivamente divididas e acessos restritos, assim como possuem um boulevard com oportunidades acesso direto à área externa. Não é à toa que ganhou um prêmio imobiliário tão importante!

A City optou por um modelo integrado com maior separação dos empreendimentos, apostando em mais luxo e exclusividade - que tendem a trazer mais retorno financeiro e presença de marcas mais fortes. O Infinity Business by Pininfarina combinado com o Haut Compact Life no Bueno (quase colado ao Cidade Opus) formam uma combinação poderosa de mixed used muito próximos, porém sem contato direto. Por outro lado, no Marista na Av. 136 próximo a Ricardo Paranhos, o City Coporate by Pininfarina em conjunto com o B.Side (literalmente ao lado) formam um mixed use bem charmosa em uma região de movimentação comercial mais consolidada na cidade.

Por fim temos argumentos de sobra para entender o porquê de uma movimentação tão intensa com empreendimentos mixed use. Atendem a todos os tipos de demandas imobiliárias: moradia, renda, patrimônio e negócios. Tantas forças trabalhando a favor, sendo tão bem adaptadas aos públicos, os tornam produtos de alta resiliência, geração de patrimônio, capacidade de renda e adequação ao dia-a-dia. Ainda temos muito para amadurecer, mas temos também muita coisa feita e com o sucesso desses empreendimentos e para quem já pegou o fio da meada a maior batalha a se travar será decidir qual deles será a melhor opção para montar patrimônio e sua previdência imobiliária antes que os preços disparem.


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